Saber não basta

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Relatos de profissionais mostram um desafio comum entre líderes: transformar conhecimento, planejamento e intenção em comportamento capaz de produzir resultados

Empresários, gestores e profissionais nunca tiveram tanto acesso a conhecimento, tecnologia e ferramentas de gestão. Inteligência artificial, cursos, mentorias, livros e metodologias ajudam a mostrar caminhos, mas existe uma distância que nenhuma informação consegue percorrer sozinha: aquela entre saber o que precisa ser feito e efetivamente fazer. Para o terapeuta comportamental de líderes Saulo Coelho, é justamente nesse espaço que muitos profissionais estão perdendo produtividade, oportunidades e resultados.

“O mercado ensina muito sobre o que fazer, mas pouco sobre por que, mesmo sabendo o que fazer, continuamos repetindo comportamentos que nos afastam do resultado. A motivação inicia, a intenção direciona, mas é o comportamento que decide. Um líder pode conhecer todas as técnicas de gestão e ainda assim procrastinar uma decisão, evitar uma conversa difícil ou repetir um padrão que prejudica a equipe”, afirma Saulo.

A constatação ganhou força durante uma formação comportamental conduzida pelo profissional. Pessoas de diferentes áreas e trajetórias relataram dificuldades semelhantes: autossabotagem, falta de consistência, perfeccionismo, dificuldade de transformar objetivos em ação e repetição de comportamentos que elas próprias já reconheciam como prejudiciais. Mais do que o conteúdo aprendido, os relatos apontaram para um fenômeno comum: muitas delas já sabiam o que precisava mudar. A dificuldade estava em sustentar um comportamento diferente.

Foi o caso de Miriam Torres. Ela conta que durante muito tempo viveu a frustração de ter clareza sobre aquilo que deveria fazer, começar uma mudança e, pouco depois, retornar ao mesmo padrão. “O maior aprendizado que vou levar para a vida é que clareza e motivação, sozinhas, não transformam ninguém. O que realmente muda a nossa vida é o comportamento. Se eu não mudar a forma como ajo todos os dias, nada muda”, relata.

A experiência também apareceu de outra forma no depoimento da profissional Kamila Ziliotto. Ela identificou um pensamento recorrente, “ou faz tudo ou não faz nada”, que acabava impedindo sua evolução, especialmente no ambiente profissional. Ao perceber o padrão, passou a valorizar uma ação concreta em lugar da espera pelo cenário ideal. Já o estrategista comercial e engenheiro de Inteligência Artificial Márcio Zimermann descreveu a formação como “transformadora” e destacou a possibilidade de converter frustração, gatilhos, autossabotagem e falta de clareza em movimento. Para ele, as ferramentas aprendidas passaram a ser utilizadas no trabalho, com clientes e na própria vida.

Segundo Saulo, esses relatos ajudam a explicar por que profissionais tecnicamente preparados podem continuar travados diante de decisões aparentemente simples. “Conhecimento não garante execução. Às vezes, a pessoa sabe exatamente onde quer chegar, mas tenta construir a mudança dependendo de motivação ou de uma transformação enorme de uma só vez. Quando trabalhamos o comportamento possível hoje, diminuímos a distância entre intenção e resultado”, explica.

Uma das estratégias utilizadas por ele é o chamado Comportamento Mínimo Viável, CMV, baseado na definição de uma ação pequena o suficiente para ser executada e consistente o bastante para iniciar uma mudança. A lógica confronta a cultura das grandes promessas e das transformações imediatas. Em vez de esperar motivação, condições perfeitas ou uma mudança radical, a proposta é identificar qual comportamento pode ser realizado agora e repetido até que produza evolução.

Para Saulo, essa discussão se torna ainda mais relevante em um ambiente empresarial dominado pela Inteligência Artificial. “A tecnologia pode entregar informação, organizar dados, sugerir estratégias e acelerar processos em segundos. Mas ela não entra em uma reunião difícil pelo líder, não dá o feedback que ele está adiando e não executa a decisão pessoal que ele sabe que precisa tomar. Quanto mais tecnologia tivermos à disposição, mais evidente ficará o valor do comportamento humano”, conclui.

Serviço: Saulo Coelho

Terapeuta Comportamental de Líderes

@saulocoelhopontocom

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